Mata Sul de Pernambuco — 03 de julho de 2025
Durante o 8º Congresso da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), realizado esta semana no Centro de Convenções, prefeitos dos 23 municípios que integram o Consórcio de Municípios do Agreste e Mata Sul (Comagsul) intensificaram a cobrança pela retomada das obras da Ferrovia Transnordestina e pela implantação de uma plataforma multimodal (porto seco) no interior do estado.
A carta assinada pelo grupo foi entregue a representantes do Governo Federal durante o evento. O documento reforça a necessidade de priorização do trecho que liga Salgueiro ao Porto de Suape, cuja execução está há anos paralisada. O ramal é considerado estratégico para o desenvolvimento logístico e econômico da região, mas enfrenta entraves técnicos, financeiros e políticos desde sua reformulação, que excluiu o trecho cearense da rota principal.
Dois trechos devem ser licitados em 2025
Segundo informações da Infra S.A., dois lotes do ramal pernambucano devem ser licitados ainda este ano:
Salgueiro–Arcoverde (73 km)
Cachoeirinha–Belém de Maria (53 km)
O investimento estimado para a conclusão total do traçado entre o Sertão e Suape é de R$ 3,5 bilhões, com previsão de início das obras ainda em 2025 e conclusão até 2029. A expectativa é de que a obra gere milhares de empregos diretos e indiretos, além de impulsionar o escoamento da produção agrícola, industrial e comercial da Zona da Mata e do Agreste.
Prefeitos querem porto seco para integrar interior à ferrovia
Além da retomada da ferrovia, os prefeitos defendem a construção de um porto seco (terminal multimodal) para consolidar a integração logística do interior com o litoral. O projeto, inspirado em modelos similares implantados no Ceará, prevê a instalação de um centro logístico em uma das cidades do Comagsul — entre as candidatas estão Altinho, Agrestina, Cachoeirinha, Belém de Maria e Ibirajuba.
De acordo com o presidente do consórcio, prefeito Marivaldo Pena, a definição do local ocorrerá a partir de um estudo técnico-econômico encomendado pelo consórcio e apoiado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).
— “Não basta apenas a passagem da ferrovia. Precisamos de estruturas que garantam o carregamento e descarregamento de cargas, e que mantenham a riqueza circulando em nossa região”, afirmou Marivaldo.
Apoio federal e articulações com o setor privado
No último dia 20 de junho, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, reuniu-se com 35 prefeitos do interior na sede do Comagsul, em Agrestina. Na ocasião, o ministro garantiu apoio à implantação da plataforma multimodal e anunciou a possibilidade de parcerias com a iniciativa privada para acelerar o projeto.
— “A Mata Sul e o Agreste têm potencial logístico enorme. A criação de um porto seco ajudará a interiorizar o desenvolvimento e atrair investimentos para regiões historicamente esquecidas”, declarou o ministro.
Um estudo de viabilidade técnica e econômica deverá ser concluído em até 60 dias, servindo como base para estruturação do projeto e abertura de tratativas com investidores.
Expectativa de retomada e impacto regional
A mobilização municipalista é vista como um marco importante para garantir que os investimentos da Transnordestina tenham reflexos reais sobre o território pernambucano. A ferrovia, além de modernizar o transporte de cargas, tem potencial para transformar a dinâmica econômica da região, facilitando a exportação de produtos e reduzindo o custo logístico de empresas locais.
A atuação conjunta dos prefeitos e o apoio declarado do Governo Federal podem ser determinantes para destravar um projeto considerado essencial para o desenvolvimento equilibrado de Pernambuco.

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