Crise hídrica em Pernambuco expõe lentidão nas obras e falta de prioridade nos bastidores do abastecimento

 

Imagem gerada com auxilio de IA

A falta de água continua sendo um dos principais dramas enfrentados por milhares de famílias em Pernambuco. Enquanto comunidades inteiras convivem com torneiras secas, promessas de investimento em infraestrutura hídrica ainda enfrentam entraves políticos, burocráticos e falta de planejamento realista. Um exemplo recente é o bairro do Curado 3, no Recife, que voltou a ser pauta após a visita do deputado federal André Ferreira (PL) à sede da Compesa, nesta segunda-feira (7).

Acompanhado do deputado estadual Nino de Enoque e do vereador Armando Júnior, Ferreira cobrou celeridade no projeto de abastecimento para a localidade, que sofre com rodízios extremos e instabilidade no fornecimento. A reunião, realizada com o presidente da companhia, Alex Campos, destacou a necessidade urgente de reforçar o sistema de distribuição, mas também evidenciou o quanto os projetos caminham a passos lentos.

O Curado 3 é apenas uma amostra do que ocorre em dezenas de bairros da Região Metropolitana e no interior do estado. Moradores enfrentam a cada semana a incerteza de quando poderão encher seus baldes e caixas d’água. Enquanto isso, os investimentos públicos esbarram em processos demorados, liberações por etapas e uma aparente falta de prioridade diante de outras obras com mais visibilidade política.

Apesar de ações pontuais e anúncios recentes, como o Programa de Investimento em Saneamento do Governo do Estado, a percepção nas comunidades é de abandono. Em muitos locais, carros-pipa seguem sendo a única alternativa — uma solução emergencial que, há décadas, virou rotina.

O desafio não é apenas técnico ou financeiro, mas político. A cobrança por mais transparência, agilidade e acompanhamento das obras precisa sair dos gabinetes e ecoar nas ruas, nas rádios comunitárias e nas redes sociais. A água, um direito básico, não pode continuar sendo tratada como moeda de campanha ou promessa adiada.

Enquanto isso, o povo espera. Espera que as obras avancem, que as prioridades sejam revistas, e que o básico — água na torneira — deixe de ser um privilégio e volte a ser o mínimo garantido.

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